O sucesso começa com o mapeamento de rede

Sobre Artistas Independentes, Criatividade, Financiamento Coletivo

Um dos preparativos fundamentais para o sucesso de uma campanha de financiamento coletivo é um bom mapeamento de rede. Mapear rede é uma expressão mais pomposa para “listar cada uma das pessoas que você acredita que topariam investir no seu projeto e com o quanto apoiariam”, seja no caderno, no word ou no excel. Parece bobagem, mas a gente vai te explicar o por quê de tanta importância.

Você pode até ter uma noção de quem vai colaborar com a sua campanha, mas seis anos de financiamento coletivo nos ensinaram que é melhor planejar do que desesperar. Então não basta ficar no achismo, você vai precisar fazer o dever de casa e garantir que durante toda a sua campanha vai, gradualmente, falar com todos que estiverem na sua lista. No caso de artistas, essa tarefa é uma baita oportunidade, porque não só estimula bastante o engajamento dos fãs, como também divulga e abre portas para futuras parcerias.

Mas não só de nomes se faz um mapeamento de rede. É imprescindível colocar também o contato daquela pessoa, uma estimativa de com quanto você acredita que ela vai contribuir financeiramente e, por fim, seu grau de proximidade com ela. Esse último ponto é importante porque, apesar de você fazer esse mapeamento antes mesmo de lançar a campanha, você não vai abordar todo mundo de uma vez só. De novo, você não vai abordar todo mundo de uma vez só. Para fixar:

Trabalhamos basicamente com 3 níveis de rede e o financiamento coletivo é uma escalada de confiança da rede mais próxima para a mais distante. Pegue o papel e a caneta e vamos lá.

 

#1 REDE PRIMÁRIA

Esse primeiro círculo é formado pelas pessoas mais próximas a você, mas as mais próximas MESMO. Estamos falando em listar seus familiares, namorado(a), amigos de longa data (ou de pouca data, mas muita sintonia), integrantes e ex-integrantes da banda/grupo e aqueles que são mais chegados ao seu trabalho: o parceiro do estúdio, os valiosíssimos produtores, etc.

Você provavelmente não é uma banda de uma pessoa só. Então, reúna todos que vão embarcar nessa campanha de financiamento coletivo com você e façam esse exercício juntos. Proponha uma dinâmica na qual, por exemplo, no primeiro dia de campanha, cada integrante da banda precise trazer no mínimo 3 colaborações, e assim por diante. Detalhe importante: todo mundo que estiver nessa lista deve estar a uma ligação de distância. E, preparem-se, porque vocês vão precisar ligar e mandar mensagem. 

Se você já tem nessa rede primária alguém com potencial de ser embaixador ou polinizador, ou seja, capaz de trazer mais colaboradores para a sua campanha, coloque o nome dessa(s) pessoa(s) com estrelinhas.


#2 REDE SECUNDÁRIA

Agora partimos para quem está mais para um Whatsapp, inbox ou postagem no Facebook/ Instagram de distância. São amigos de amigos, família de amigos, colegas mais antigos com os quais você fez um trabalho há um tempo atrás e claro…. seus fãs!

Quem você consegue listar nome a nome, liste. Quem você consegue agrupar ou referenciar (coletivo da Lapa, galera do SESC, etc), agrupe. Mas lembre-se de apontar um contato e estimar quanto você espera de valor de colaboração desses núcleos.

mapeamento de rede

#3 REDE TERCIÁRIA

Basicamente, ganhar o mundo. Aqui é uma pegada mais abrangente, pessoas que você provavelmente vai precisar escrever um email mais formal ou pedir uma pauta para divulgar seu financiamento coletivo. Fanpages no Facebook, blogs, jornais, revistas, influentes que falam sobre música e por aí vai. Muitas campanhas não atingem esse terceiro círculo, porque alcançá-lo significa estourar a bolha, e isso não é tarefa fácil. Mas com planejamento e foco é muito possível!


Agora, mãos à ativação!

Direto e reto: as pessoas que compõem a sua rede primária precisam ser as primeiras a saber e colaborar com a sua campanha de financiamento coletivo. Dito isso, não saia por aí divulgando nas redes sociais sem antes garantir que você alcançou pelo menos 20% da meta apenas com a colaboração dessas pessoas mais chegadas. Para você ter uma ideia, o potencial é tanto que, normalmente, é a rede primária que garante entre 55% e 80% de toda a sua meta. Então, começar forte é uma tarefa que depende dela e dela somente.

Parece brincadeira, mas os dados mostram que campanhas que ultrapassam 20% da meta têm 90% de chance de sucesso. Se alguém que te conhece indiretamente entra na sua campanha e a arrecadação está baixa, a impressão que fica é que ninguém está apostando no seu trabalho. Por isso, repetimos: acionar rede é uma escalada de confiança. Garanta o momento inicial com apoios de quem está perto.

Saturou seu círculo primário? Hora de partir para o próximo. E agora é aquele momento que chove like, chove post e, se a ativação for bem feita, chove colaboração também. Faça postagens regulares testando abordagens diferentes e use as cartas que você tem na manga: peça para aquelas pessoas mais influentes divulgarem que colaboraram com o seu projeto e chamarem, de forma criativa, mais pessoas para contribuir – quem sabe até cantando uma música sua. 😉 

Temos uma planilha que vai te ajudar muito nessa organização das redes: o nosso crowdfunding canvas, que está disponível para download em benfei.to/CanvasRede.

Agora chega de teoria. Hora de botar pra fazer! Comece aqui: benfei.to/ComeceSeuProjeto

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