Ela não sai de mim

Sobre Cuidado

Amanhã a Benfeitoria faz sete anos.

Há sete anos, decidi fazer meu primeiro projeto de financiamento coletivo com ela. Há cinco, decidi entrar para a equipe e dedicar a minha vida a ela. Há dois, decidi sair para buscar novos rumos.

Hoje faço parte de um Bando que trabalha pelo desenvolvimento do financiamento coletivo. Junto com a Benfeitoria, batemos o recorde brasileiro no mês passado com a campanha Queermuseu no Parque Lage.

Saí da Benfeitoria, mas ela não sai de mim.

Dei para a Benfeitoria tudo que eu tinha: meu tempo, meu suor, meus sonhos, minhas ideias, minha dedicação e minha energia. O que recebi em troca foi infinitamente maior. Conheci novas pessoas, novos lugares, novos projetos, novas linguagens, novos repertórios, ações, conceitos, conhecimentos, redes, mobilizações, ferramentas, metodologias e técnicas.

Me joguei na Benfeitoria. E ela mudou tudo na minha vida. Mudou, inclusive, minha maneira de me jogar nas coisas.

Para mim, a Benfeitoria nunca foi um emprego. Nunca foi, na realidade, uma empresa. Talvez isso tenha nos levado a caminhos distintos. Afinal, no fim do mês, a conta precisa fechar para uma startup de tecnologia empreendendo em um ambiente de muita incerteza e volatilidade. A Benfeitoria é, sim, uma empresa. Uma ótima empresa! Cheia de gente competente, inteligente, honesta, batalhadora e criativa.

Mas, acima disso, é uma missão. É um jeito de enxergar o mundo. E é por isso que ela não sai de mim.

Mais do que a maior taxa de sucesso do mercado, o recorde do financiamento coletivo no Brasil ou o pioneirismo no financiamento Recorrente, a Benfeitoria é sobre a construção de um mundo diferente. Não necessariamente sobre mudar o mundo, mas sobre construir alternativas aqui e agora, na escala das nossas vidas, no nível das pessoas.

Adoro a analogia da Amanda Palmer. Nas turnês da banda, ela costuma fazer couchsurfing, ficando hospedada no sofá dos fãs. Ela brinca que gosta de fazer crowdsurfing, se jogando do palco para ser carregada pela multidão. Além disso, bateu o recorde do crowdfunding na música em 2012 levantando quase US$1.2 milhão para um novo disco da banda.

No final das contas, ela diz que couchsurfing, crowdsurfing e crowdfunding são a mesma coisa: se jogar no desconhecido e confiar que a multidão vai dar um jeito de te segurar.

Empreender na Benfeitoria é exatamente a mesma coisa. São sete anos de estrada. Sete anos de aprendizados, desafios, dores, incertezas, conexões e muitas, muitas risadas. São sete anos se jogando no desconhecido e sentindo a multidão fazer a sua parte.

A Benfeitoria é, acima de tudo, sobre pessoas se juntando para fazer coisas incríveis. Coisas impossíveis. Coisas irresistíveis.

Somos essas pessoas. E somos bem mais numerosos do que se pode imaginar.

Desculpem a invasão, Benfeitores. Aqui me sinto em casa.

2 Comentário

  1. Adorei Teo! Também tenho muita alegria de acompanhar de pertinho esses sete anos de caminhada… afinal, o q importa é mesmo caminhar, né?

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