“E como a Benfeitoria ganha dinheiro?”

Sobre Colaboração, Criatividade, Cuidado

“E como vocês se sustentam?”

Essa é sempre a primeira pergunta que ouvimos quando começamos a falar do nosso modelo de negócios. Isso acontece porque, diferente das plataformas de financiamento coletivo mais comuns, a Benfeitoria optou por não cobrar comissão. E foi a primeira do mundo a fazer isso.

Mas como a gente se sustenta então, se a principal (ou a única) fonte de receita das plataformas é exatamente a comissão?

É importante dizer que a gente não acha injusto ou errado cobrar comissão. As plataformas têm custos, cada empresa tem a sua estrutura e não é fácil fazer a roda girar sem uma fonte de receita mensal estável. A gente só escolheu um caminho diferente.

Resolvemos arriscar (e apostar) num modelo de colaboração espontânea, que significa que não obrigamos ninguém a pagar, mas convidamos todos a contribuir para a Benfeitoria continuar existindo. Podemos chamar também de contribuição consciente, comissão voluntária, mas tudo quer dizer a mesma coisa: você colabora se quiser, com o quanto quiser.

Esse caminho, em grande parte, se baseia na premissa de que temos que agir junto com as pessoas (co-missão, como gostamos de brincar), de que a Benfeitoria só faz sentido se as pessoas quiserem que ela exista e sejam conscientes quanto à sua colaboração. Confiança e reciprocidade são valores fundamentais de qualquer construção coletiva, e é isso que a gente quer estimular por aqui.

Hoje temos basicamente três fontes de receita que vêm diretamente das pessoas:

1- Comissão voluntária do realizador. Se você financiou um projeto na Benfeitoria e este financiamento foi bem sucedido, você pode optar por contribuir com o nosso trabalho, com o valor que quiser, depois do fim da arrecadação. Nossa curadoria é muito minuciosa e trabalhamos com projetos que a gente realmente acredita.Além do serviço online, nossos principais “produtos” são o nosso atendimento e nossas metodologias. Cuidamos de cada um de uma forma única, e acreditamos que este é um dos motivos para a nossa taxa de sucesso ser estrondosamente alta: 80% nos últimos dois anos.

Por tudo isso, acreditamos que os realizadores enxergam esse cuidado e atenção e podem contribuir de forma voluntária. Muitos o fazem. E esse é o primeiro pilar do nosso modelo de negócios.

2- Contribuição espontânea do colaborador. Quando uma pessoa vai contribuir com um projeto na plataforma, ela pode contribuir financeiramente também – se quiser, e com quanto quiser – com a Benfeitoria. O sistema é parecido com o primeiro, mas funciona a cada pagamento que é feito no site. Sugerimos alguns valores de referência (inclusive zero) e cada um pode escolher o quanto achar justo.

Um dos grandes trabalhos aqui é explicar toda essa proposta de forma muito sucinta. Diferente do nosso relacionamento com o realizador, que dura meses, aqui temos alguns segundos para comunicar tudo que está por trás deste convite. Não é a toa que é nosso maior quintal de experimentações. Fazemos muitos testes para saber o que funciona e o que não funciona. Hoje, quase 60% dos colaboradores contribui com algum valor para a gente, um número que nos enche de orgulho.

3- Sócios-Benfeitores. Por fim, temos um programa de relacionamento a longo prazo, que chamamos de Sócio-Benfeitor, um experimento que já explicamos aqui no blog. São pessoas que toparam apoiar a Benfeitoria com um valor mensal, em um esquema de financiamento recorrente. Atualmente, são mais ou menos 150 pessoas que contribuem com valores entre R$15 e R$200 por mês.

Os Sócios-Benfeitores formam uma comunidade que participa das decisões, da criação de ideias e, em vários momentos, do planejamento da Benfeitoria. Muito mais do que um apoio financeiro, eles são a rede de suporte da Benfeitoria.


O nosso modelo de negócios vai além disso. Temos também vários projetos fora do financiamento coletivo. Alguns deles incluem a participação de grandes empresas, como o Rio+, o Reboot, o Canal Natura Cidades e algumas consultorias e projetos mais pontuais. Essas iniciativas mais autorais nos ajudam a colocar no mundo as ideias que estão por trás da Benfeitoria e, na maioria das vezes, nos remuneram por isso – e até 2015 foram as maiores fontes de receita.

Por isso tudo, a gente diz que a Benfeitoria não cobra, mas não é gratuita. Precisamos dessas contribuições das pessoas para continuar fazendo o nosso trabalho, e cada vez mais esse número se torna significativo. Mas queremos construir um significado coletivo para o nosso modelo de negócio. Queremos que as pessoas reflitam sobre o valor do seu dinheiro, e sobre como e onde o investem.

A Benfeitoria é, em sua essência, construída pelas pessoas que fazem parte dela, seja construindo um relacionamento de longo prazo, seja interagindo pontualmente com a plataforma. Ela só se banca se fizer sentido para quem interage com ela. E por ser essa construção coletiva, esse é o modelo de negócios que encontramos para ela.

Como diz a Amanda Palmer na sua palestra no TED, às vezes estamos acostumados a fazer a pergunta errada. Em vez de “como fazemos as pessoas pagarem por isso?”, poderíamos nos perguntar “como deixamos que as pessoas paguem por isso?”. Essa pequena mudança transforma tudo.

12 Comentário

  1. Parabens Benfeitoria, me ajudaram a aperfeiçoar meu olhar para o financiamento coletivo e suas benfeitorias ;)
    Vida longa a essa nova economia e a vcs!

  2. Interessantissimo. Concordo com a contribuição por visão de valor e não por preço absoluto. Todavia, senti muita falta de um capítulo SOBRE os idealizadores e administradores do Benfeitoria, um resumo profissional dos mesmos, e finalmente, porque não é um site .br??? grato

  3. Parabéns benfeitoria!

    continuar com um passo “solidário-monetário” enche de esperança!
    Viver um dia na esperança de ser reciproco na solidariedade. Isso é viver!
    Precisamos conhecer não só a ideia, mas os idealizadores.
    Invista na informação dos mesmos, queremos ver seus retratos!

  4. Excelente postura da Benfeitoria quanto a não exigência de comissões. Com toda certeza se o nosso projeto for aprovado para receber recursos, com toda certeza seremos Benfeitores tanto para contribuir com uma expressiva comissão, mas principalmente com as contribuições Mensais. Estaremos cadastrando nosso projeto. Trata-se de uma Empresa Administradora de Benefícios e Soluções Financeiras de forma Associativa.

  5. Excelente postura da Benfeitoria quanto a não exigência de comissões. Com toda certeza se o nosso projeto for aprovado para receber recursos, com toda certeza seremos Benfeitores tanto para contribuir com uma expressiva comissão, mas principalmente com as contribuições Mensais. Estaremos cadastrando nosso projeto. Trata-se de uma Empresa Administradora de Benefícios e Soluções Financeiras de forma Associativa.
    Não temos site desenvolvido por se tratar de um projeto. Por enquanto só mesmo o registro de domínio.

  6. Achei muito importante todo esse projeto, pois coloca as pessoas que não podem doar muitas coisas ,a serem mais objetivas e criarem seus alimentos com ajuda especializada e que tirem suas duvida
    .

  7. Achei muito interessante mas assim como o Marco Antonio de Napoli fiquei com as mesmas dúvidas.
    Onde estão as respostas? São encaminhadas individualmente?

  8. Boa tarde! Precisamos iniciar imediatamente o projeto coletivo Viva Bituca! Já temos o video da campanha gravado e só estamos definindo os valores de cada colaboração. Por favor poderia ligar pra nós? Gostaria muito de conversar e esclarecer algumas dúvidas. Ab. Roberta Machado – produtora do grupo Uirapuru Canto Livre que tem a regência de Gê Lara.
    Nosso tels: 37- 99199 0813 (vivo/zap) / 98847 3015 (oi)

  9. Parabéns Murilo! Admiro muito o trabalho da benfeitoria e o seu! Acredito muito na transparência da empresa e tenho certeza que isso é referência para outras empresas, como a minha. Contem comigo para o que precisar! Abs.

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